Você talvez se lembre da casa onde morou quando era criança, mas será que você se lembra de como era o dia a dia naquela casa?

Como eram os móveis, o seu quarto, o seu brinquedo favorito, como era tomar o café da manhã na cozinha com a sua mãe…

Existe uma diferença enorme entre o registro e a memória e a fotografia documental de família nasce justamente desse lugar: da vontade de guardar aquilo que normalmente passa despercebido enquanto está acontecendo.

O café da manhã bagunçado, o brinquedo espalhado na sala, o pai cochilando no sofá depois de um dia cansativo, os abraços rápidos da rotina, as risadas sem pose, os detalhes da casa.

São cenas simples, comuns até… Mas são exatamente essas cenas que, daqui a 30 ou 40 anos, terão um valor impossível de se medir.

Hoje ainda são poucas as famílias que se permitem viver essa experiência e abrir a intimidade da casa, o cotidiano real, sem produções exageradas, sem a obrigação de sorrir para a câmera o tempo inteiro.

Talvez porque fomos acostumados a acreditar que fotografia precisa acontecer apenas em ocasiões especiais como aniversários, casamentos, viagens. Como se a vida de verdade acontecesse apenas nesses dias.

Mas a memória afetiva quase nunca mora nos grandes eventos, ela mora no cotidiano.

Com o passar dos anos, a memória falha e muitas vezes o que resta para reconstruir essas lembranças é um álbum de fotos.

E talvez um dia seus filhos e netos olhem para essas imagens tentando reencontrar um pouco da infância. Talvez procurem nelas o rosto dos pais mais jovens, o quarto onde cresceram, o cachorro dormindo no canto da sala, a forma como eram amados.

E então essas fotografias deixarão de ser apenas imagens e se tornarão memória.

 

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